Biodigestor da UFPB produz biogás e biofertilizante a partir de resíduos orgânicos; pesquisa trabalha em tecnologia de filtragem de menor custo.
Um projeto desenvolvido no Centro de Energias Alternativas e Renováveis da Universidade Federal da Paraíba trabalha para tornar mais acessível uma tecnologia capaz de transformar restos de alimentos e outros resíduos orgânicos em gás de cozinha e fertilizante. O biodigestor da UFPB atualmente utilizado pelo projeto custou aproximadamente R$ 12 mil, e a equipe busca desenvolver uma versão que possa ser replicada por cerca de R$ 2 mil.
O equipamento funciona como um tanque fechado onde bactérias decompõem a matéria orgânica na ausência de oxigênio. O processo produz biogás e um líquido rico em nutrientes que pode ser utilizado como biofertilizante.
De acordo com a equipe, a quantidade de gás produzida diariamente pelo equipamento em teste pode atender ao consumo de uma família de cinco pessoas. O biodigestor também gera aproximadamente oito litros de biofertilizante por ciclo informado pelo projeto.
Um dos principais desafios está na filtragem do biogás. O professor Adriano Marques, coordenador do projeto OrganicBio+, explica que esse componente concentra parte importante do custo e que o grupo trabalha no desenvolvimento de uma solução própria para reduzir o valor final.
A iniciativa está instalada no espaço da ONG Onde Plantei, em João Pessoa, e reúne estudantes e professores do Departamento de Engenharia de Energias Renováveis. O projeto também já realizou atividades abertas para apresentar o funcionamento da biodigestão e incentivar o uso da tecnologia.
A UFPB possui trabalhos acadêmicos anteriores sobre aproveitamento energético de resíduos e biodigestão. Pesquisa do programa de pós-graduação da universidade identificou potencial energético no biogás produzido a partir de resíduos alimentares, reforçando uma linha de estudo que associa tratamento de lixo orgânico, produção de energia e geração de fertilizantes.
A redução de custo pretendida pelo projeto poderá ampliar o acesso principalmente em comunidades rurais, mas os R$ 2 mil permanecem, neste momento, como meta de desenvolvimento, e não como preço de um equipamento já disponível comercialmente.







