Justiça Eleitoral, Ministério Público e Polícia Federal montam cerco pesado para barrar ameaças de facções e proteger o direito do povo de votar em paz
Nas eleições de 2026 na Paraíba, o eleitorado e a Justiça enfrentam uma preocupação séria que mexe direto com a vida da população: a tentativa de facções do crime organizado de meter a mão na política. O que antes parecia coisa de filme ou de outros estados agora acende o sinal de alerta máximo no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PB), na Polícia Federal e no Ministério Público, que estão de olho aberto para não deixar o narcotráfico decidir quem pode ou não disputar a eleição e mandar no voto do cidadão.
Em várias comunidades e bairros da Grande João Pessoa e de cidades do interior, criminosos tentam impor o chamado “voto de cabresto armado”. Na prática, os chefes de facção tentam fechar as portas dos bairros para quem eles não querem, proibindo a entrada de candidatos adversários, ameaçando quem distribui panfletos e arrancando cartazes. Ao mesmo tempo, pressionam moradores, pequenos comerciantes e lideranças locais para apoiarem apenas os nomes indicados ou apadrinhados pelo tráfico.
O interesse das facções vai muito além das ruas. O grande objetivo é usar dinheiro sujo do crime para bancar candidaturas a deputado estadual na Assembleia Legislativa da Paraíba e a deputado federal em Brasília. Com políticos eleitos sob seu controle, as organizações criminosas buscam ter influência política, acesso a verbas públicas, facilidade para aprovar indicações de cargos e, principalmente, uma blindagem contra investigações policiais e operações da Justiça.
As investigações das forças de segurança mostram também que os criminosos tentam se infiltrar nas disputas majoritárias para o Governo do Estado e para o Senado Federal. A estratégia é tentar negociar apoios em bolsões de votos populosos em troca de promessas futuras de cargos e espaço em secretarias, repetindo esquemas parecidos com os que já foram descobertos em prefeituras da Paraíba, onde o crime tentava controlar contratações e serviços públicos.
Para frear essa pressão, a Justiça Eleitoral e o Ministério Público criaram grupos especiais de inteligência que estão rastreando o dinheiro das campanhas e cruzando informações com a Polícia Civil e a Polícia Federal. Zonas eleitorais e bairros considerados mais visados vão contar com reforço pesado de policiamento nas ruas e, se for preciso, tropas do Exército Brasileiro para garantir a ordem. Qualquer candidato que tiver envolvimento com facção ou for flagrado usando ameaça do tráfico para ganhar votos pode ter a candidatura cassada imediatamente e ir parar na cadeia.
As autoridades reforçam que o cidadão não precisa ter medo, pois a tecnologia da urna eletrônica garante o sigilo total do voto. Dentro da cabine de votação, ninguém vê nem sabe em quem o eleitor votou. Além disso, a população pode denunciar qualquer ameaça, coação ou propaganda irregular pelo aplicativo gratuito Pardal ou pelo telefone do Ministério Público, de forma totalmente anônima, garantindo que o poder de escolha continue exclusivamente nas mãos do povo.







