Bruno apresenta documentos sobre escola no Aluízio Campos; cessão atual foi assinada em setembro

Prefeitura afirma ter apresentado duas áreas ao Estado em 2021; novo termo para terreno de 11,1 mil m² foi preparado em abril e recebeu assinatura digital do prefeito em 3 de setembro.

A discussão entre a Prefeitura de Campina Grande e o Governo da Paraíba sobre o terreno destinado à construção de uma escola estadual no Complexo Aluízio Campos ganhou novos documentos e passou a envolver dois momentos diferentes: as áreas apresentadas pelo Município em 2021 e a formalização, em 2026, da cessão de um novo terreno para a unidade de ensino.

O assunto voltou ao centro do debate depois que o governador e candidato à reeleição Lucas Ribeiro afirmou, durante debate eleitoral, que a escola ainda não havia sido construída porque faltava a formalização do terreno por parte da Prefeitura. Bruno Cunha Lima reagiu e apresentou documentos para sustentar que o Município já havia oferecido áreas ao Estado anteriormente.

Segundo o material divulgado pelo prefeito, em setembro de 2021 o então governador João Azevêdo solicitou ao Município uma área de 100 metros por 100 metros, equivalente a 10 mil metros quadrados, para a implantação da unidade.

Bruno afirma que a Prefeitura apresentou duas opções naquele período: uma área com mais de 15,6 mil metros quadrados e outra superior a 20,4 mil metros quadrados. As duas, portanto, eram maiores que a dimensão solicitada pelo Governo.

A existência de oferta anterior de terreno também aparece em registros da Câmara Municipal. Em fevereiro de 2025, durante sessão legislativa, o vereador Pimentel Filho reconheceu que uma primeira área havia sido disponibilizada, mas disse que o terreno apresentava condições inadequadas para receber a escola. A vereadora Valéria Aragão afirmou na mesma sessão que já havia diálogo com a Prefeitura para disponibilização de um novo terreno, plano e com melhor acessibilidade.

Os registros mostram, portanto, que a divergência não se resume à existência ou não de uma oferta inicial de área. O Governo rejeitou ao menos uma das alternativas por considerá-la inadequada, enquanto a discussão sobre outro terreno continuou nos anos seguintes.

Nova área voltou a ser discutida em 2026

Em março deste ano, a questão ainda estava pendente. Ata oficial da Câmara de Campina Grande registra que Valéria Aragão pediu a efetivação da doação de um terreno para a escola e afirmou que o Governo do Estado já dispunha de recursos para o investimento. Na mesma sessão, o vereador Frank Alves informou que a Prefeitura havia se mostrado disponível para realizar a cessão.

O assunto voltou à Câmara em abril. Em sessão realizada no dia 14, o secretário executivo de Articulação Política do Governo da Paraíba, Anderson Pila, pediu ao Município a doação de terrenos para projetos no Aluízio Campos, incluindo a escola estadual.

Um termo de cessão referente à área atualmente destinada ao projeto foi elaborado com data de 13 de abril de 2026. O procurador-geral do Município, Aécio de Souza Melo Filho, assinou digitalmente o documento no dia 14 de abril, às 17h58.

O documento, porém, recebeu a assinatura digital do prefeito Bruno Cunha Lima somente em 3 de setembro de 2026, às 16h17, um dia depois do debate eleitoral em que a demora na formalização foi cobrada.

A área objeto desse termo possui 11.163,75 metros quadrados. O documento estabelece cessão gratuita ao Governo da Paraíba pelo prazo de 30 anos, com possibilidade de prorrogação, e determina que o terreno seja utilizado para construção, implantação e funcionamento de uma unidade da rede pública estadual destinada à oferta de ensino médio.

A cessão também já havia passado pela Câmara Municipal antes da assinatura final do prefeito.

Documentos tratam de etapas diferentes

Os registros disponíveis mostram que houve ofertas de áreas pela Prefeitura desde 2021, mas também que a área destinada ao projeto atual percorreu um novo processo de formalização em 2026.

A apresentação das áreas antigas, portanto, não equivale à conclusão da cessão do terreno que atualmente deverá receber a escola. Da mesma forma, o fato de o termo ter recebido a assinatura final de Bruno somente em setembro não apaga as tratativas e ofertas registradas nos anos anteriores.

O estágio atual é de cessão formalizada do terreno. A construção e o funcionamento da escola constituem etapas posteriores e dependem das providências do Governo do Estado relacionadas ao projeto, contratação e execução da obra.

  • Redação Eixo PB

    A Redação Eixo PB produz notícias sobre política, cidades, economia, cultura, serviços e acontecimentos de interesse público na Paraíba, com atenção especial a Campina Grande e João Pessoa.

Leave a comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *