Um vídeo que circulou nas redes sociais acusou os Correios de fazer propaganda eleitoral para o PT ao mostrar um carteiro entregando panfletos de Ricardo Coutinho, candidato a deputado federal pela Paraíba. A checagem do Projeto Comprova concluiu que a publicação omitiu um dado central: o material foi distribuído por meio do serviço de Mala Direta dos Correios.
A gravação mostra panfletos com o número 1313 e identificação de entrega não endereçada. Segundo os Correios, o conteúdo era um objeto postal regular, contratado para distribuição e disponível a candidatos, partidos políticos, comitês eleitorais e agências de publicidade. A prestação do serviço, portanto, não representa apoio político da estatal ao candidato ou ao partido.
A empresa informou ainda que as peças de campanha precisam ser identificadas no momento da postagem e cumprir as exigências da Justiça Eleitoral. Em divulgação institucional feita durante a campanha de 2026, os Correios também apresentaram a Mala Direta como uma das soluções oferecidas para a comunicação de propostas e projetos eleitorais.
A Lei nº 6.538/1978 disciplina os serviços postais no país. No caso verificado, a checagem não encontrou indícios de que o vídeo tivesse sido criado ou alterado por inteligência artificial, mas apontou que a legenda conduzia o público a interpretar uma entrega comercial regular como propaganda partidária feita pela empresa pública.
Até 2 de outubro, a postagem analisada acumulava 32,7 mil visualizações no X. O perfil responsável tinha 98 mil seguidores na plataforma. O Projeto Comprova informou que procurou o autor da publicação e a campanha de Ricardo Coutinho, mas não recebeu resposta até a conclusão da verificação.
A distinção é objetiva: os Correios fizeram a distribuição de material eleitoral contratado por meio de um serviço postal disponível ao mercado. Isso não equivale a produzir, apoiar ou promover a propaganda de uma candidatura.






