Petição atribui uso eleitoral a recursos enviados ao município; acusações ainda serão examinadas pela Justiça e os investigados terão direito à defesa.
Uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) foi apresentada contra o deputado federal Hugo Motta e o ex-prefeito de Patos Nabor Wanderley, ambos do Republicanos, sob a acusação de abuso de poder político e econômico relacionado à destinação de emendas parlamentares ao município. A petição é atribuída aos advogados Hélcio Stálin Gomes Ribeiro e Erick Wilson Pereira e indica a participação do procurador regional eleitoral.
Os autores sustentam que recursos de autoria de Hugo Motta teriam sido usados em uma estrutura de articulação política ligada a Nabor, responsável pela administração de Patos durante parte do período mencionado. A abertura da ação não representa reconhecimento de irregularidade: as alegações dependem de prova e ainda serão analisadas pela Justiça Eleitoral.
Ação cita emendas entre 2016 e 2025
De acordo com a representação, R$ 14.299.625,72 em emendas de Hugo Motta foram destinados ao Município de Patos e a fundos municipais entre 2016 e 2025. A tese dos autores é que a divulgação e a utilização política desses recursos teriam ultrapassado a finalidade administrativa e servido ao fortalecimento eleitoral do grupo familiar.
A ação menciona anúncios oficiais ligados à reforma e à requalificação do Terreiro do Forró, nos quais Nabor teria atribuído a liberação dos valores à atuação de Hugo. Em outro trecho, a petição cita a divulgação, durante o São João de Patos de 2024, de aproximadamente R$ 17 milhões assegurados pelo deputado para obras no município.
A representação também usa como argumento uma investigação sobre a liberação de emendas parlamentares e faz referência à servidora da Câmara dos Deputados Mariângela Fialek, conhecida como Tuca. Segundo a narrativa apresentada pelos autores, esse episódio justificaria uma apuração mais ampla sobre os critérios de destinação dos recursos e a possibilidade de uso eleitoral.
Pedidos serão avaliados pela Justiça Eleitoral
A AIJE pede que Hugo Motta e Nabor Wanderley sejam citados para apresentar defesa no prazo legal de cinco dias. Os autores também requerem o reconhecimento do suposto abuso de poder e a cassação dos registros de candidatura ou, se a eleição já estiver concluída e houver diplomação, dos diplomas dos investigados.
Para que as sanções sejam aplicadas, a Justiça Eleitoral deverá examinar as provas, verificar a gravidade das condutas atribuídas aos investigados e assegurar o contraditório e a ampla defesa. O envio de emendas a um município, por si só, não comprova abuso; o ponto central do processo será saber se houve desvio de finalidade e uso dos recursos para obter vantagem eleitoral.










